sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Projeto Livro nas Nuvens




Livro Nas Nuvens: É um projeto para compartilhar livros digitais e vídeos-livros gratuitamente. Assista e baixe aqui o seu:




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Assista aos vídeos-livros


Iepopéia (antitexto, pretexto, contexto): poema de Osni Miguel Santana, com pós-texto de Nê Sant'Anna sobre a história da cidade paulista de Iepê. #CemAnosEmTresCoqueiros



ERA UMA VEZ... Vídeo-Livro do projeto Livro nas Nuvens, no qual a amizade entre seres muito diferentes é cantada numa fábula-poética para crianças de todas as idades.





DESCUBRA QUEM ERA PIRILAMPO neste vídeo-livro para crianças de todas as idades!












sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

COLUNA MÚLTIPLOS OLHARES



TODOS OS BICHOS DE NÊ SANT’ANNA

DEZEMBRO DE 2017


É Dezembro. Mais uma vez escrevo esta coluna Natalina! Mais uma vez conjugo o “verbo Esperançar”, desejo PAZ e um ANO NOVO melhor. Mais uma vez reflito sobre o nosso tempo em um poema...
Comecei esta coluna em 2011 e nela compartilhei sentimento, reflexões e textos de novos autores.
A partir de 2018 meus textos e os textos de novos autores serão publicados no Facebook, nas páginas Livro Nas Nuvens e Sociedade Amigos da Cultura de Iepê.
Compartilho nesta última coluna um livro digital, dois poemas e dois contos; agradeço a todos que a seguiram nesses anos e espero que continuem a acompanha-la em novo formato no Facebook.
Feliz Natal e um 2018 repleto de Esperança!

JERUSALÉM

Jerusalém,
Que bem ao mundo faria
Se suas ruas não reivindicassem.
Se em canteiros, que todos compartilhassem,
se transformassem.

Jerusalém,
Que lindo seria
Se você pudesse, nesse século,
Espalhar Esperança
Acolhendo em suas ruas
Uma cidade para toda humanidade.

Jerusalém,
Que lindo seria
Se seu solo fosse
Terra de todos,
Posse de ninguém.
Grandes canteiros
Em que a Cultura de Paz florescesse
E novos jardins semeassem.

Jerusalém,
Que lindo seria
Se símbolo da Paz a tornassem.

Jerusalém,
Desenho de jardim assim
Brotando em suas ruas
Podem até chamar de utopia
Mas que seria lindo, seria...






ENTÃO É NATAL...

Ele não nasceu
Em vestes de rei
De simplicidade e amor
Nasceu revestido,
Humilde menino.

Menino Jesus,
Desse mundo
Nunca foi o Seu Reino.





A ATRIZ

Inesperadamente a reencontrei no luxuoso banheiro feminino do restaurante. Fazia tempo ela não era convidada para grandes eventos.
O impactante banheiro era recoberto de espelhos, mármore, ornamentos dourados, e, luzes em profusão denunciavam o cuidado extremo com a limpeza do local. Procurei, em vão, algum resquício de mofo nos rejuntes das peças: tudo tão impecável, resistindo há décadas de construção.
Sem nenhuma necessidade, antes de encará-la naquele ambiente desconhecido, permaneci quase meia hora fechada em uma das cabines, obstinadamente tentando juntar coragem e encontrar alguma sujeira nos metais e no vaso sanitário branquíssimo.
Frustrada, me dirigi ao lavatório e percebi que estávamos sozinhas. Reparei, com prazer, que uma das lâmpadas ao redor do espelho onde ela retocava a maquiagem estava queimada e também nos traços daquele rosto, ainda interessantes. A atriz que havia lavado as mãos – sem manchas visíveis –, com movimentos elegantes e ajeitado os cabelos, começava a retocar o batom quando a discreta encarregada de manter o banheiro impecável substituiu a lâmpada.
A iluminação tem o poder de ressaltar e camuflar, brinca de esconde-esconde tanto nos palcos como ao longo da vida, à medida que os olhos vão percebendo menos detalhes e necessitando, cada dia mais, do artifício de luzes e lentes.
Enquanto a atriz terminava de retocar os lábios, todas as linhas que os marcavam pareciam gritar através daquele espelho fortemente iluminado. Enraivecida, observei seus olhos. O azul estava opaco, em uma tonalidade semelhante a do empoeirado vaso de murano esquecido ao lado de troféus e porta-retratos de familiares e amigos na estante do escritório. Não suportei mais a cena e sorri benevolente para ela.
            Assim que me virei para retornar ao salão do restaurante – felizmente à meia luz –, o espelho do luxuoso e petrificado banheiro não teve mais o sarcástico gosto de refletir, sem o conforto de certa penumbra, a imagem da atriz que ainda mora em mim.




SEM GÊNERO

            Fui criança sem afetos. Olhos estrábicos, muita banha, poucos amigos. Aprendi a barganhar muito cedo, ou melhor, compreendi que se quisesse alguma atenção teria de pagar por ela. A moeda podia ser pequenos favores, um ombro sempre pronto a acolher a dor alheia ou dinheiro mesmo, transformado em lanches, sorvetes, revistas em quadrinhos... Em casa valia o mesmo esquema; os braços de minha mãe ensaiaram, mas nunca, espontaneamente de fato, me aqueceram como acontecia com os outros irmãos. Eu me contentava com poucos abraços e sempre pagava por eles. As professoras nunca entenderam o motivo de meu choro com as ilustrações tão banais estampadas nos livros didáticos. Eu simplesmente molhava as páginas ao observar as gravuras de mães enternecidas afagando seus rebentos, ou crianças brincando sob alguma árvore.
            A sensação que essas ilustrações provocavam! Arrepios tão bons, de uma felicidade tão plena! E tão simples, e tão corriqueira, como se o ato de nascer já trouxesse certos direitos. Mas não trazia. Para alguns talvez, nunca para mim. De algum modo eu tinha que pagar. Por muitas décadas pensei ter encontrado a fórmula existencial perfeita e, ironicamente, a batizei de mais-valia emocional.
            Um centímetro de prazer é a medida para não enlouquecer ou matar. Comprei os meus; na adolescência vieram embalados em papelotes, garrafas, revistas pornográficas e viagens patrocinadas por mim à turma do colégio, que sempre dava um jeito de me excluir dos programas e gentilmente cortar minhas falas nas conversas. Aprendi e, na vida adulta, comecei a investir melhor. Obtive metros de prazer em sutis manipulações, inclusive recebendo prêmios de instituições dos mais variados segmentos. Mas nunca me iludi. Saía do meu bolso o metal barato de alguns troféus de gosto duvidoso, bem como as grossas alianças de ouro 24 quilates quando resolvi me casar. A mão que a recebeu ensaiou, mas nunca, espontaneamente, me aqueceu.
            Já dominava o jogo e por algum tempo o banquei, utilizando as moedas de barganha que tanto conhecia. Não sei precisar quando tudo perdeu a graça e se transformou num pesadelo. A traição já esperava, mas não abriria mão do meu centímetro de prazer. Desde a adolescência abracei a regra de nunca pagar duas vezes pelo mesmo fragmento de prazer e, naquele momento, até o cotidiano estava sufocante. Não partilharia bem nenhum; quem jogava era eu, quem dava os lances era eu, esse gozo ninguém roubaria.
            O assassinato perfeito me restituiria até a grossa aliança de ouro 24 quilates! Poderia planejá-lo de tal forma que ninguém sequer vislumbrasse a ocorrência de um crime. Por meses continuei a pagar pelo prazer que aquele planejamento me proporcionava. Nenhum incômodo conseguia me tirar daquele estado eufórico. Olhava as pessoas: reis, rainhas, cavalos, peões... E gozava intimamente. Então percebi que o investimento já se pagara e, em vez de assassinato, recorri a um vantajoso divórcio, recobrando até as alianças, que guardei classificando-as como mais uma categoria em minha vasta coleção de troféus.
            Meus centímetros de prazer estavam ficando mais difíceis de conseguir. A aprovação das pessoas já não produzia mais efeito algum. Os abraços que tanto persegui, ultimamente enjoavam. Resolvi não pagar por nada mais e não posso negar que a frustração mal disfarçada nos olhos dos pequenos chupins me proporcionou metros de prazer.
            Só continuei patrocinando minha mãe a uma distância protocolar, regra estabelecida desde a adolescência. Em sua última hora ela me chamou. Não tive escolha. Mal encostava ao lado de sua cama ela me puxou e me envolveu em seus braços. Acho que congelei e ela, me apertando mais, sussurrou: “você, desde criança, sempre fugindo de mim... Perdoe se eu não insisti”. Eu não disse nada, devolvi seu abraço, ela sorriu e mergulhou no tal abismo desconhecido que chamamos de morte.
            Não paguei nem participei do velório. Há dois dias caminho. Não persigo prazer, não planejo. Simplesmente caminho. Dois versículos ecoam em minha cabeça: “... E a graça de Deus se há manifestado...”, “... o dom gratuito de Deus é a vida eterna”...




PS: Leia mais textos no blog www.portaldamarambaia.blogspot.com.br
Conheça meus livros: Filosofias de Vó Maria: Crônicas de um Cotidiano Caboclo, RelaxARTE: Relaxe em 10 passos com poesia e arte, Caneta Nova e Pensamentos Soltos, Fragmentos das Horas Ocas na Janela, Poesia Escondidinha disponíveis no site da editora  Clube de Autores; e o romance Portal da Marambaia.com, disponível no site da editora Multifoco.
 E baixe aqui gratuitamente o e-book Múltiplos Olhares  https://www.4shared.com/…/o…/Livro_Mltiplos_Olhares_PDF.html







segunda-feira, 21 de agosto de 2017

MÚLTIPLOS OLHARES


 
Todos os Bichos de Nê Sant'Anna 
(agosto e setembro)


SOBRE O BRASIL,TEMPOS E VENTOS!



"Transformam o país inteiro num puteiro pois assim se ganha mais dinheiro!" (Cazuza)

1984 e 2017

Você era do Direito
Eu era da História
sopros de mudança 
o vento nos trazia.
Passou o tempo
mudou o século.
Hoje sopra-nos o vento
lufadas geladas de hipocrisia
no país da velha putaria.

Desculpem o tom ácido, queridos leitores, mas não posso me calar. Termino esta coluna com mais um breve poema e, nas próximas, voltarei a publicar os textos enviados por novos autores.

No fundo, no fundo
Poder e Ganância
giram os moinhos
do mundo.



segunda-feira, 19 de junho de 2017

8° PRÊMIO IEPÊ DE POESIA/2017


1. O Prêmio IEPÊ de Poesia, que acontece a cada dois anos em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Turismo, Esportes e Lazer e com a iniciativa privada, é uma realização da Sociedade Amigos da Cultura de Iepê e do Ponto de Cultura de Iepê;
2. Objetivo: revelar novos poetas, valorizar o gênero poético e incentivar talentos literários;
3. Poderão concorrer ao prêmio pessoas residentes em todo o Território Nacional e em países de Língua Portuguesa;
4. O Prêmio será dividido em duas categorias, Infanto-Juvenil: até os 14 anos e Adulta: a partir dos 15 anos;
5. Os menores de idade só terão sua inscrição efetuada com a autorização dos pais ou responsável;
6. As inscrições serão realizadas no período de 12/06/2017 à 29/09/2017, no Museu Histórico da Igreja Presbiteriana Independente de Iepê, localizado à Rua Minas Gerais s/n, Centro (próximo à Praça D. Silvina), de segunda à sexta-feira, das 8h00 às 11h00 e das 13h00 às 16h00; ou pelo correio no endereço: Ponto de Cultura de Iepê, Rua Joaquim Severiano de Almeida n. 364, Centro, CEP: 19640-000, Iepê – SP, valendo a data da postagem. OBS: Nas poesias enviadas pelo correio deverá constar apenas o pseudônimo do autor e, em envelope lacrado, os seguintes dados: nome, RG, endereço, e-mail, fone e o título do trabalho;
7. O texto deverá obrigatoriamente ser inédito e de autoria própria. O tema do trabalho inscrito será livre, com limite de 2 laudas;
8. Cada participante poderá inscrever até 3 (três) poesias, usando o mesmo pseudônimo;
9. Cada trabalho deverá ser entregue em 3 (três) vias digitadas e impressas, fonte 12, letra Arial, em folha A4;
10. Os participantes terão seus trabalhos arquivados. Não será devolvido nenhum poema inscrito;
11. Os 3 (três) primeiros colocados de cada categoria, receberão Prêmio de incentivo artístico;
12. Os 10 (dez) primeiros trabalhos de cada categoria, selecionados pelo júri, serão publicados em livro (Antologia) no ano de 2019, em formato impresso e/ou digital; 
13. A comissão julgadora será composta por 6 (seis) membros, sendo 3 (três) para a categoria Infanto-juvenil e 3 (três) para a categoria Adulta, que será soberana em suas decisões;
14. A Cerimônia de Premiação está prevista para a segunda semana de novembro de 2017, durante a II Feira do Livro de Iepê, ocasião em que será lançada a Antologia – 7º Prêmio IEPÊ de Poesia/2015.



quarta-feira, 10 de maio de 2017

MÚLTIPLOS OLHARES


Todos os bichos de Nê Sant’Anna maio/junho de 2017


Como todos estamos precisando respirar, compartilho com as crianças de todas as idades um texto meu e de Paulo Fernando Zaganin, a ilustração é da Meiriele Ventura de Oliveira. Divirtam-se com O SÍTIO DO CIPÓ: A HISTÓRIA DA PAIXÃO DO GALO JANJÃO PELA GALINHA COCOCÓ.





No meio do sertão existe um lugar encantado chamado Sítio do Cipó. Lá, nada é impossível e, quase todas as noites, tem sarau e baile no quintal. Foi numa dessas noites que o galo Janjão conheceu a galinha Cococó e, perdidamente, por ela se apaixonou.
Desde então, o galo enamorado em verso e prosa canta e conta essa história para quem quiser ouvir:


Eu sou o galo Janjão
faço versos, canto e toco violão.
E essa é a história
do meu encontro, outro dia,
com a minha grande paixão.


Tudo começou quando a galinha Cococó
toda bonita se arrumou
e saiu para ir a uma festa
na fazenda Cafundó.


Mas mudou o itinerário
ao encontrar pelo caminho a galinha Galiza
graciosa bailarina, que sob a luz da lua e de uma lamparina
aquela noite, no Sitio do Cipó, comigo se apresentaria.


Enquanto eu cantava
meus olhos a Cococó encontraram.
E já estava por ela encantado
quando os versos daquela canção terminaram.



Assim que o baile no quintal começou
com a Cococó eu fui dançar
e sem perder tempo
da minha paixão comecei a lhe falar.

Que danada de galinha
essa tal de Cococó!
Sabem o que ela me respondeu?
“Agora só quero dançar
 do futuro não posso falar,
ainda estou magoada
porque o galo Carijó
não quis me namorar
e com a galinha Pintadinha
acabou de se casar.”


Desde esse dia
só consigo nela pensar
e uma triste melodia
no meu violão dedilhar.

Que danada de galinha
essa tal de Cococó
tão charmosa e cheia de borogodó!
Espero que logo ela esqueça o galo Carijó
e comigo então se case
lá no Sítio do Cipó!





quinta-feira, 16 de março de 2017

MÚLTIPLOS OLHARES


Todos os bichos de Nê Sant’Anna 
março/abril de 2017

Nesta primeira coluna do ano anuncio o nascimento do Facebook Livro Nas Nuvens, onde você poderá baixar e-books gratuitamente.
Acreditando que todo livro merece voar, LIVRO NAS NUVENS é um projeto do Ponto de Cultura e Sociedade Amigos da Cultura de Iepê para compartilhar livros, histórias, espalhar sonhos e incentivar a leitura e os escritores através de e-books e vídeo-livros.
Participe acessando Livro Nas Nuvens  no Facebook e no Youtube.

 E, como Poetas postam versos nas nuvens e pedem ao vento para espalhar, continuarei divulgando aqui novos poemas e novos autores.


MEMÓRIAS
Autor: Poeta da rua

Naquele distante dia
a professora pediu
versos e poesia.
Forneceu temas e rimas,
mas só consegui pensar
no roncar da minha barriga
quase sempre vazia.

PALESTRA
Autor: Poeta da rua

Ouvi o discurso do poeta engravatado,
Contratado, patrocinado
Alimentado, bem pago.

Li os versos do poeta.
Muitas rimas
muita ética
politicamente corretas.

Pensei em jogar a toalha
ou  também tentar ganhar algum
compondo poesia que rimasse amor e dor,
vida com valor e perfume de flor.

Mas o vento esbofeteou minha cara.
Recusei métrica vazia e fugaz alegria.
Aceito, de bom grado,
o preço de ser poeta não patrocinado
tresloucado, livre, mal alimentado
e inveterado desbocado.
nha barriga
quase sempre vazia.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

MÚLTIPLOS OLHARES



Todos os bichos de Nê Sant’Anna 
novembro/dezembro de 2016

Então o final de ano já chegou... Rápido demais, como todos os acontecimentos desse ano da graça de 2016 que sacudiram as estruturas do Brasil e do mundo que já não estavam lá muito firmes. Terminamos este ano vivendo tempos insensíveis, e a insensibilidade caminha ao lado do caos, não da paz.
Mas... A Esperança é equilibrista, já disse João Bosco, e o show tem que continuar.
E assim continuamos... Espalhando projetos e abrindo espaço para “arteiros” de todas as artes, como o canal no Youtube Livro Nas Nuvens: um projeto para compartilhar histórias, espalhar sonhos e incentivar a leitura através de vídeo-livros.
Deixo nesta última coluna do ano, como “esperança equilibrista”, meu presente de Natal: 
 o vídeo-livro (para crianças de todas as idades) Quem era Pirilampo?  https://youtu.be/MSuNaAZqnmg
Desejo que este vídeo-livro traga um pouco de alento a este ano tão intenso e dramático e que a paz de Jesus ilumine o Natal de todos e nos fortifique para 2017.

Até março. 





sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Múltiplos Olhares


Todos os bichos de Nê Sant’Anna 
[setembro/outubro de 2016]


Insight: 1984 OUTRA VEZ!
Peço perdão pela ausência desta coluna em setembro. Aliás, em setembro eu fiz 50 anos.
Meio século! Pois é, “meninos eu vi” e participei do movimento pelas Diretas Já em 1984 (no meu primeiro ano na UEL); acompanhei a elaboração da Constituição Cidadã de 1988 e o Impeachment de Collor em 1992. Só não imaginava assistir mais esse capítulo da História do Brasil que se desenrola desde as manifestações de 2013 e ficou quase palpável nas eleições de 2014. Os que acompanham esta coluna certamente se recordarão da crônica “Como descascar um abacaxi”, escrita no dia do segundo turno das eleições presidenciais de 2014, na qual eu dizia que o país estava nu, com todos os problemas escancarados para quem quisesse ou tivesse sensibilidade para ver.
Infelizmente a crônica foi “profética”. Assistimos a um impeachment farsesco e canalha, no qual se perdeu a chance de drenar as feridas e debater as raízes da corrupção sistêmica, há séculos instaladas no poder, e de discutir o desenho do Estado brasileiro que a cada dia se afasta mais dos traços delineados pela Constituição de 1988.
Passadas as eleições municipais de outubro e com o apoio da grande mídia, 2/3 do povo brasileiro (trabalhadores, classe média e pobres) é “eleito” o culpado das contas públicas, do custo Brasil etc. (entre outros, com o falso argumento de que a Previdência está quebrada) e, mais uma vez, será “convidado” a pagar as contas.
O slogan da campanha cínica promovida pelo governo pós-impeachment “vamos tirar o Brasil do vermelho” é irônico – não pela analogia ao PT (que, aliás, pisou na bola), mas pelo ato falho: vamos tirar o pouco de direito social (garantido pela Constituição de 1988) do “sangue vermelho comum” que corre nas veias dos 2/3 dos brasileiros, historicamente excluídos pelo pretenso “sangue azul” que correria nas veias da politicagem mafiosa, presente na maioria dos partidos políticos. Ou seja, o slogan disfarça, mas não esconde a intenção do atual governo de subtrair direitos dos segmentos sociais de “sangue vermelho” e, de quebra, ainda “acalma” as “outras cores sanguíneas” – estas sim, sempre beneficiadas pelo Estado – sinalizando de que não serão chamadas a pagar nenhuma conta.
É hora do “sangue vermelho”, que construiu e constrói a riqueza dessa terra, dizer NÃO a reformas como a da previdência e de defender os princípios de justiça social e cidadania conquistados pela Constituição de 1988 por meio da democracia e do empenho de verdadeiros estadistas, como Ulisses Guimarães, que em 1985 quando Tancredo morreu “abriu mão” da presidência em prol da frágil democracia que brotava no Brasil pós-terríveis anos de Ditadura militar. Mas, renúncia é coisa de estadista, não de alpinistas do poder.
Reformas devem ser discutidas e referendadas através de plebiscitos, não impostas goela abaixo da população por uma maioria de políticos sem nenhuma representatividade e idoneidade junto ao povo, infelizmente panorama no qual hoje se encontra o Brasil.
Provavelmente, nem que eu viva mais meio século, verei um país plenamente justo, mas, enquanto estiver por aqui continuarei lutando com o mesmo ânimo de 1984, quando a minha geração panfletava: “Eu quero votar para presidente”!
De certa forma, esse “grito” em 2016 continua o mesmo, pois a maioria dos brasileiros clama por novas eleições para presidente e, independentemente de afinidades partidárias, grita “Fora Temer”. E, graças à luta de várias gerações, ainda podemos gritar e caminhar outra vez pelas ruas e praças, inspirados pela frase que disse lá atrás Ulisses Guimarães: “É caminhando que se abre o caminho”.
Até novembro. 

P.S.: Esta crônica é dedicada a Ulisses Guimarães que faria 100 anos e lutou pela Constituição cidadã alicerçada na liberdade, democracia, garantia de direitos, inclusão e justiça social. Em homenagem a essa luta deixo aqui dois links para vocês entenderem a farsa do déficit e o calote aos direitos sociais que a reforma da previdência significa.




quarta-feira, 24 de agosto de 2016

MÚLTIPLOS OLHARES



Todos os Bichos de Nê Sant’Anna


SOBRE HISTÓRIAS, CRIANÇAS E SEMENTES

A coluna deste mês é muito especial, pois é uma conversa em forma de texto com os alunos da Escola João Antonio Rodrigues que ilustraram três histórias minhas em parceria com Paulo Fernando para o projeto Meu Pequeno Autor.
Nada deixa escritor tão feliz quanto ver seus textos passeando. E, mais gratificante ainda, é quando leitores se tornam coautores e dão vida aos nossos personagens. Foi exatamente isso que aconteceu dia 11 deste mês: dezenas de crianças publicaram livros ilustrando as nossas histórias Era Uma Vez, Quem Era Pirilampo? e O Sítio do Cipó: A História da Paixão do Galo Janjão pela Galinha Cococó.
A leitura e as artes sempre fazem a gente pensar, se emocionar e também se pôr no lugar dos outros. Tenho certeza de que quando leram e ilustraram as histórias, vocês, crianças, tiveram que, de certa forma, experimentar muitos sentimentos, alguns conhecidos, outros não.  Essas três histórias podem nos fazer pensar em muitas coisas, por exemplo, será que a galinha Cococó acabou se apaixonando pelo galo Janjão? Mas, em todas as três histórias nós podemos pensar sobre a Cultura de Paz.
E o que é isso? Cultura de Paz é respeitar as pessoas do jeito que são por fora e por dentro: suas aparências, seus pensamentos e sentimentos; é tentar se colocar no lugar dos outros, e também dizer NÃO à violência!
Vocês já ouviram dizer que a gente colhe o que planta? Pois é, quando a gente planta uma semente de laranja e cuida dessa semente, provavelmente depois de algum tempo, colheremos laranjas. Todos nós temos coisas boas e ruins dentro de nós. Quando nos esforçamos para plantar as coisas boas, teremos mais chance de colher um mundo melhor.
  E agora, terminando esta conversa, agradeço mais uma vez a todas as crianças que ilustraram nossos textos e deixo um convite para que vocês sejam semeadores da Cultura de Paz. Nunca se esqueçam: Quem lê e semeia a paz colhe um mundo melhor.


P.S.: Em breve lançaremos o projeto LIVRO NAS NUVENS, um canal de vídeo-livros no Youtube. O primeiro vídeo-livro será Quem Era Pirilampo? Aguardem, participem e ajudem a divulgar o projeto! 


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Projeto "Certo Olhar"




No dia 09/08 a Sociedade Amigos da Cultura e o Ponto de Cultura de Iepê foram "astros" de um documentário que será produzido pelo Ponto de Cultura Periferia Invisível de São Paulo, através do Projeto "Certo Olhar". Tivemos a oportunidade de mostrar um pouco de nossa história e de nossos projetos desenvolvidos nestes 16 anos de trabalho pela Cultura.



Veja mais fotos clicando aqui

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Lançamento dos livros do Projeto Meu Pequeno Autor


                                                                         Foto: Tiago Nascimento
Os textos e ilustrações foram produzidos pelos próprios alunos



     Aconteceu no dia 11 de agosto de 2016, no pátio da EMEF João Antônio Rodrigues, nos períodos da manhã e tarde, o lançamento dos livros do Projeto Meu Pequeno Autor. 
     Pela manhã a professora Isamara com os seus alunos do 1º ano B representaram a história "Era uma vez um gato xadrez" com a ajuda da professora Cacilda que os acompanhou com o violão.
     No período da tarde os alunos do 1º ano E, da professora Lígia, apresentaram o teatro “A Formiguinha e a neve”. 
     Já os irmãos Heloane, Heloisa e Gabriel cantaram a história “Era uma vez” de autoria de Nê Sant’Anna (nos dois períodos).
     Durante o evento foi divulgado os alunos que tiveram os seus textos selecionados na Olimpíada de Língua Portuguesa e receberam medalhas. Foram: Rafaela Beatriz da Silva (5º A), Islan Audivino dos Santos (5º B), Thiago Enrico Costa Cardoso (5º C), Elaine Simões da Silva (5º D) e Ian Vinícius Rodrigues Barbora (5º E).
     A professora e diretora Maria Helena lembrou que no dia 11 de agosto é comemorado o Dia do Estudante. “A homenagem foi para todas as pessoas que valorizam o conhecimento e o crescimento pessoal. A data foi escolhida por que foram criados os dois cursos de nível superior no país: ciências jurídicas e ciências sociais.” – salientou a professora.
 O secretário de educação Dr. Professor Paulo Fernando 
realizou oficialmente o lançamento dos livros 
do Meu Pequeno Autor
FOTO: Tiago Nascimento
     O secretário de educação Dr. Professor Paulo Fernando no uso de sua palavra realizou oficialmente o lançamento dos livros do Meu Pequeno Autor e incentivou os alunos a se aventurarem no mundo literário.
     O vice-prefeito em exercício Antonio Menocci esteve presente durante o evento.
     Glaucilene e Diego da equipe do projeto “Meu Pequeno Autor” estiveram presentes.
     Os textos e ilustrações foram produzidos pelos próprios alunos.






A aluna Thainá autografando o seu primeiro livro


Para conferir alguns dos momentos deste evento clique aqui e veja o álbum completo.
Fotos: Tiago Nascimento

sexta-feira, 15 de julho de 2016

MÚLTIPLOS OLHARES



Todos os bichos de Nê Sant’Anna



Em tempos “turbulentos” espalhe poesia! Continuem enviando textos, confiram mais dois poemas emocionantes de jovens autores na coluna deste mês e também meu mais recente trabalho, o livro Múltiplos Olhares: poemas e InPalavras acessando  www.clubedeautores.com.br/book/212539--Multiplos_Olhares.



VERSINHOS
Ainda pequenininho
Comecei a fazer versinhos
E a encontrar a poesia
Sempre cruzando o meu caminho.
Autor: Poetinha, 11 anos


VOINHA
Quando eu tinha três anos
pensaram que podiam me enganar
dizendo que Voinha
por longo tempo iria viajar.

Não acreditei na historinha.
Sabia que numa linda estrelinha
ela havia se transformado
e que toda noite
estaria ao meu lado.

Autora: Flor, 12 anos